Seguro para carro antigo: quanto custa proteger usados, raridades e clássicos no Brasil
16 de janeiro de 2026
21 min de leitura
Equipe FinanceBlog

Seguro para carro antigo: quanto custa proteger usados, raridades e clássicos no Brasil

Entenda como funciona o seguro para carro antigo no Brasil, o que muda em relação a um carro moderno e quanto você pode esperar pagar para proteger usados, raridades e clássicos com tranquilidade.

Ter um carro antigo no Brasil é uma mistura gostosa de orgulho e responsabilidade. Orgulho porque poucos prazeres se comparam a girar a chave, ouvir o ronco de um motor de outra época e perceber que aquele carro chama atenção até parado no semáforo. Responsabilidade porque, junto com a história e o charme, vem a pergunta que sempre aparece na cabeça de quem está comprando, restaurando ou simplesmente preservando um clássico: “e se acontecer alguma coisa, como eu protejo isso?”

Se você já pesquisou sobre seguro para carro antigo, provavelmente se deparou com respostas bem diferentes entre si. Tem gente que diz que é barato, tem gente que diz que seguradora nem aceita, tem quem fale em “apólice de colecionador”, em “valor acordado”, em “vistoria especial”. O assunto é cheio de detalhes e, como a própria Quatro Rodas costuma lembrar quando fala de mercado automotivo e preservação, carro antigo não é só carro velho, ele tem um jeito próprio de ser avaliado, usado e, por consequência, segurado.

A boa notícia é que existe, sim, caminho para segurar usados mais velhos, raridades e clássicos, e nem sempre isso custa uma fortuna. O custo vai depender de como você usa o carro, do nível de proteção que faz sentido para o seu caso e, principalmente, de como o veículo é enquadrado, usado cotidiano, raridade em valorização, ou clássico de coleção.

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Carro antigo, usado velho, clássico e raridade, por que o seguro muda tanto?

No seguro, as palavras importam. Para a seguradora, um “carro antigo” pode significar apenas um veículo mais velho, com muitos anos de uso, que continua rodando no dia a dia. Para o entusiasta, “antigo” pode ser sinônimo de clássico, de modelo colecionável, de carro de fim de semana. E “raridade” pode ser aquele carro que aparece uma vez por ano num encontro, impecável, com peças originais, ou até importado antigo com manutenção especializada.

Essa diferença muda tudo, porque seguro é cálculo de risco. Um carro que roda todos os dias em trânsito pesado, fica na rua, passa por enchente, enfrenta estacionamento apertado e motorista apressado ao lado tem uma probabilidade de sinistro muito maior do que um carro que sai só aos domingos, vai para encontros, fica guardado em garagem coberta e é conduzido com cuidado.

Além disso, a forma de calcular indenização também muda. Num carro moderno, a referência de preço costuma ser a Tabela Fipe ou, em alguns casos, um valor de mercado estimado. Em clássicos, a Fipe nem sempre acompanha a realidade, porque o mercado de colecionáveis tem dinâmica própria. Um mesmo modelo pode valer pouco se estiver cansado e muito se estiver impecável, original e bem documentado. E tem modelos que valorizam com o tempo, especialmente quando há pouca oferta e alta procura.

No Brasil, o mercado de seguros é regulado pela SUSEP, a Superintendência de Seguros Privados, e as regras gerais de contrato e cobertura passam por condições padronizadas e supervisão. Mas, dentro disso, as seguradoras têm liberdade para definir aceitação, precificação, franquias e exigências, conforme o apetite de risco e o tipo de produto oferecido. É por isso que uma seguradora pode aceitar um carro 1998 sem dificuldade e outra pode recusar, ou aceitar apenas com coberturas limitadas.

Quanto custa, na prática, segurar um carro antigo?

Aqui é onde muita gente quer um número único, mas a realidade é que o custo pode variar muito, mais do que em carros populares modernos. Ainda assim, dá para você se orientar por faixas e por lógica.

Em termos bem práticos, o preço do seguro vai depender de quatro pilares.

O primeiro é o valor segurado, ou seja, quanto a seguradora vai pagar em caso de perda total, e como esse valor é definido. Em carros mais comuns, usados mais velhos e sem apelo de coleção, normalmente a referência é o valor de mercado, muitas vezes atrelado à Fipe com algum percentual. Em carros clássicos, pode ser “valor determinado” ou “valor acordado”, quando segurado e seguradora combinam um valor fixo com base em laudo, fotos, notas de restauração, pesquisa de mercado e avaliação.

O segundo pilar é o perfil e o uso. Quem dirige pouco, guarda em garagem, mora em área com menor índice de roubo e não usa para trabalho costuma pagar menos. Quem usa no dia a dia, estaciona na rua e roda muito tende a pagar mais.

O terceiro pilar é o tipo de cobertura. Um seguro completo com colisão, roubo e furto, incêndio e fenômenos da natureza custa mais do que um seguro apenas contra roubo e furto. E serviços como guincho, chaveiro, assistência 24h, carro reserva e cobertura de terceiros também influenciam.

O quarto pilar é a aceitação técnica do veículo. Carros muito antigos, carros com modificações, carros com manutenção incerta, veículos sem histórico claro ou com dificuldade de reposição de peças podem ser precificados de forma mais conservadora, com franquias maiores ou até recusados.

Com isso em mente, dá para falar em cenários bem brasileiros.

Um “usado antigo do dia a dia”, por exemplo um sedã ou hatch de 15 a 25 anos, sem status de coleção, tende a ter seguro com custo proporcional ao valor do carro e ao risco regional. Em algumas cidades, é possível ver prêmios anuais na casa de alguns poucos por cento do valor do veículo, mas isso muda bastante com roubos, perfil do motorista e coberturas. Em regiões com alto índice de roubo, o seguro pode ficar caro ou nem ser oferecido.

Já um “clássico de fim de semana”, guardado e usado pouco, pode ter um seguro com lógica diferente. Muitas seguradoras e corretoras trabalham com produtos voltados a carros de coleção, em que o uso restrito e a guarda em local fechado reduzem o risco. Nesses casos, é comum a apólice exigir garagem, limitar quilometragem anual ou condicionar o uso a lazer e eventos. Quando essas condições entram, o prêmio pode ficar mais amigável do que muita gente imagina, justamente porque o risco cai.

No caso de raridades, carros com valor alto e reposição complexa, o custo pode subir por causa de dois fatores: valor segurado elevado e custo de reparo. Às vezes, nem é o roubo que assusta, é o conserto. Um farol, um para-choque ou um acabamento original podem custar caro, demorar meses para chegar e exigir mão de obra especializada. Isso pressiona a franquia, a precificação e, em algumas apólices, pode levar a coberturas mais específicas.

O melhor jeito de pensar é: o seguro vai precificar risco de você perder o carro (roubo, furto, colisão com perda total, incêndio) e risco de você ter um reparo caro (colisão parcial), e ainda o risco de você causar prejuízo a terceiros.

Seguro tradicional, seguro para colecionador e “só roubo e furto”: qual faz sentido para cada caso?

Se o seu carro antigo é seu companheiro diário, o seguro tradicional costuma ser o caminho mais simples, quando há aceitação. Ele normalmente oferece cobertura de colisão, roubo e furto, incêndio e assistência. O ponto de atenção é que alguns modelos mais visados podem ter seguro caro ou restrito, e carros com idade avançada podem ter limites de aceitação, dependendo da companhia.

Para quem tem um clássico bem cuidado, usado com parcimônia, o seguro para colecionador ou seguro específico para clássicos pode ser um encaixe melhor. Ele existe justamente porque a dinâmica de risco é diferente. Um exemplo bem comum é o do dono que tem um carro moderno para o dia a dia e um antigo para passeios. Esse perfil, no mundo real, costuma rodar pouco com o clássico, estacionar em locais mais controlados e cuidar mais do carro. Para a seguradora, isso significa menor frequência de sinistros.

Já o seguro apenas contra roubo e furto é uma alternativa interessante quando o carro tem valor mais baixo, quando o custo do seguro completo fica desproporcional ou quando a seguradora não aceita colisão por idade do veículo. Muita gente usa esse modelo como “plano B” para não ficar completamente desprotegido. Só que é importante ter clareza: se bater e der perda total por acidente, essa cobertura não vai ajudar. E, dependendo da região, o risco maior pode ser justamente acidente, não roubo.

Existe ainda um caminho que pouca gente considera no começo, mas que é muito útil: reforçar a cobertura de responsabilidade civil para terceiros. Sabe aquela batida boba no trânsito, em que você encosta num carro mais novo e o orçamento vem alto? Mesmo com um carro antigo, você pode causar um dano caro a terceiros. Uma boa cobertura para terceiros, com limites adequados, costuma custar pouco em comparação ao benefício, e pode evitar um rombo grande.

O que as seguradoras costumam exigir para segurar carro antigo

Aqui vale alinhar expectativa, porque as exigências podem parecer burocráticas, mas elas fazem parte do controle de risco e da prova de conservação.

Em carros de coleção, é comum pedirem fotos detalhadas, vistorias mais cuidadosas e comprovação de local de guarda. Algumas apólices pedem que o carro fique em garagem fechada, e algumas podem solicitar rastreador em modelos específicos. Em raridades mais valiosas, podem solicitar avaliação especializada ou laudo.

Também pode haver exigência de que o carro tenha outro veículo para uso diário na mesma residência, algo que funciona como indicativo de que aquele clássico não vai encarar trânsito pesado todo dia. Não é regra universal, mas acontece.

Outra exigência frequente é que o carro esteja em condições de rodagem e conservação. Isso parece óbvio, mas faz diferença no seguro, porque um carro com freios ruins, pneus vencidos e elétrica improvisada não é só um risco para você, é um risco estatístico de sinistro.

E tem o tema das modificações. Se você tem rodas diferentes, suspensão alterada, motor preparado, injeção moderna num carro que era carburado, ou qualquer mudança relevante, isso precisa ser declarado. No seguro, o que não é declarado pode virar dor de cabeça em eventual sinistro. A seguradora pode questionar o risco, o valor e até a indenização se entender que houve agravamento de risco não informado.

Como é definida a indenização: Fipe, valor determinado e valor acordado

Esse é um ponto sensível para quem tem clássico, porque ninguém quer passar anos restaurando um carro e, na hora de um sinistro, receber um valor que não reflete o investimento e o mercado.

Quando a apólice é baseada em Fipe, você recebe um percentual da tabela no momento do sinistro, por exemplo 100% ou 110%, conforme contrato. Isso funciona bem para carros comuns, mas pode ser injusto para clássicos que valem mais do que a Fipe sugere.

No valor determinado, a apólice estabelece um valor fixo, geralmente com base em avaliação na contratação. É como se você “travasse” o valor. Isso dá previsibilidade, mas exige cuidado para não travar baixo e, com o tempo, ficar defasado.

No valor acordado, a lógica é parecida, mas costuma envolver um acordo mais claro entre as partes, com documentação de mercado, fotos, laudos e comparativos. O ideal é revisar esse valor periodicamente, especialmente se o carro estiver em valorização.

Na prática, quem tem raridade e clássico bem montado costuma preferir valor determinado ou acordado, porque é onde você consegue aproximar a indenização do valor real do carro naquele estado específico.

E as peças? O seguro cobre peça original, mão de obra especializada e restauração?

Essa é uma dúvida muito comum. A resposta depende do contrato e do tipo de produto.

Em carros modernos, a seguradora repara o veículo com peças originais ou equivalentes, conforme regras do mercado e disponibilidade, e isso já tem seus debates. Em carros antigos, a peça original pode simplesmente não existir em estoque comum. Aí entram três desafios: custo, prazo e padrão de reparo.

Algumas seguradoras trabalham com oficinas referenciadas. Só que nem toda oficina referenciada tem experiência com carro antigo, e nem toda oficina especializada aceita trabalhar com seguradora, por conta de processos e prazos. Para o proprietário, isso importa muito, porque um reparo mal feito num clássico derruba valor, e às vezes causa problemas de acabamento que são difíceis de corrigir.

Por isso, antes de fechar o seguro, é muito importante perguntar como funciona o reparo, se existe liberdade de escolher oficina, como são tratadas peças raras, se há indenização em dinheiro para compra de peças e se a seguradora aceita reparo em oficina especializada fora da rede.

Se você está restaurando um carro e ele ainda não está rodando, outra conversa começa: seguro de veículo em restauração não é tão comum no varejo. Às vezes, o que faz mais sentido é proteger o local onde ele fica e as peças, por exemplo com seguro residencial e cobertura para bens, ou seguros específicos, dependendo do caso. Um corretor experiente consegue orientar o melhor desenho.

Um jeito simples de estimar custo sem cair em armadilha

Sem transformar isso numa conta complicada, dá para você ter uma noção de custo olhando três coisas.

Primeiro, pense no valor real do carro e no quanto você perderia se ele sumisse ou pegasse fogo. Muita gente tem carro antigo “barato” na Fipe, mas com valor afetivo, histórico e dinheiro investido em mecânica, tapeçaria, pintura e detalhes. Se o carro tem R$ 40 mil de valor de mercado real, mas a Fipe mostra R$ 25 mil, você precisa ajustar a contratação para não ficar subsegurado.

Segundo, pense na sua rotina. Você roda com o carro em dia de chuva? Deixa em estacionamento de shopping? Usa em estrada? Pega trânsito todo dia? Ou ele fica guardado e sai só em momentos específicos? Esse uso muda muito o prêmio.

Terceiro, pense no risco que mais te assusta. Tem gente que mora em região com furto alto e quer dormir tranquilo. Tem gente que mora em lugar mais calmo, mas tem medo de uma batida com perda total e ficar a pé. Outros querem, acima de tudo, proteger terceiros, porque sabem que um para-choque de carro moderno pode custar o equivalente a um ano de IPVA de um antigo.

Quando você sabe qual é o seu “medo principal”, fica mais fácil montar um seguro que cabe no bolso e resolve de verdade.

A influência de placa preta e documentação, ajuda ou não?

No Brasil, veículos com mais de 30 anos podem, em determinadas condições, obter a placa de colecionador, popularmente chamada de placa preta, seguindo regras que foram atualizadas e dependem de avaliação e critérios de originalidade e conservação. Nem todo carro antigo terá placa de coleção, e nem todo colecionador faz questão disso.

Para o seguro, a placa em si não é uma garantia automática de desconto, mas pode ajudar indiretamente, porque sinaliza preservação, originalidade e uso mais controlado. Algumas seguradoras podem enxergar isso como menor risco, outras vão focar mais em uso, garagem e valor segurado.

O que realmente ajuda é documentação organizada e histórico. Nota de compra, fotos da restauração, recibos de peças e serviços, laudos, tudo isso dá substância para você comprovar o estado do veículo e negociar valor segurado, sobretudo em valor acordado.

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Exemplo prático 1: o “usado antigo” que roda todo dia

Imagine um cenário bem comum: o Lucas tem um hatch de 2005, que ele comprou porque gosta do carro, conhece a mecânica e acha mais barato de manter do que trocar por um seminovo cheio de eletrônica. Ele usa para trabalhar, estaciona na rua às vezes e roda bastante.

Para o Lucas, o seguro de colecionador não faz sentido. O uso é diário, e a seguradora vai precificar como um carro usado comum, com idade mais alta. Ele pode encontrar três situações.

A primeira é conseguir um seguro completo com franquia mais alta e algumas limitações, como guincho com quilometragem menor ou restrições de carro reserva. A segunda é encontrar seguro parcial, por exemplo só roubo e furto, e completar a proteção com boa cobertura para terceiros. A terceira é ser recusado por algumas seguradoras por idade ou por histórico de roubo daquele modelo na região.

O caminho mais inteligente para o Lucas é cotar com corretor e comparar propostas, mas com um cuidado importante: não olhar só o preço. Se a franquia for muito alta, ele pode pagar barato no prêmio anual e, na primeira batida, perceber que o conserto ficou praticamente por conta dele. Em carro antigo de uso diário, franquia e rede de oficinas fazem muita diferença.

Exemplo prático 2: o clássico de fim de semana, bem guardado

Agora pensa na Renata, que tem um cupê dos anos 80 que ela tira da garagem aos sábados, vai a encontros e passeios, e guarda em uma garagem fechada. Ela tem outro carro moderno para o dia a dia.

Para ela, o seguro de colecionador ou seguro para clássico pode ser uma opção excelente, porque o risco de exposição é menor. Só que ela precisa prestar atenção em dois detalhes.

O primeiro é o valor segurado. Se o carro passou por restauração, com pintura, interior, mecânica revisada e itens originais, é provável que ele valha mais do que a Fipe. Faz sentido buscar uma apólice com valor determinado ou acordado.

O segundo detalhe é o reparo. Ela precisa entender se pode escolher oficina especializada, porque um clássico bem montado sofre muito com reparo apressado, e uma peça “equivalente” pode simplesmente não existir.

Nesse cenário, muitas vezes o prêmio anual acaba ficando proporcionalmente interessante, porque a seguradora percebe que não é um carro que dorme na rua nem enfrenta o caos do dia a dia.

Exemplo prático 3: raridade de alto valor e peças difíceis

E tem o caso do Paulo, que tem um importado antigo raro, daqueles que você vê e já sabe que não é comum. O valor do carro é alto, as peças são importadas, e qualquer reparo exige especialista.

Aqui, além de valor acordado e laudo, é bem provável que a seguradora peça medidas de segurança, como garagem fechada, alarme, rastreador, e talvez imponha franquia mais alta. O custo do seguro tende a subir, mas o risco financeiro de ficar sem proteção também é enorme.

Nesse caso, o Paulo precisa prestar muita atenção na cobertura de guincho e transporte, porque um guincho inadequado pode causar dano no carro. Também vale olhar cobertura em eventos e deslocamentos específicos, dependendo de como ele usa o veículo.

O que faz o seguro ficar mais barato, sem “economizar errado”

É normal querer reduzir custo, ainda mais quando o carro antigo já pede manutenção mais constante. Só que seguro barato que não paga quando você precisa não é economia, é armadilha.

O que costuma reduzir o prêmio de forma saudável é diminuir risco real. Guardar o carro em garagem fechada, usar rastreador quando indicado, evitar uso em locais e horários mais críticos, e principalmente declarar o uso correto. Se você contrata como “uso passeio” e usa para trabalho todo dia, isso pode virar problema.

Também ajuda escolher coberturas alinhadas com seu objetivo. Se o carro sai pouco, talvez faça sentido uma cobertura mais forte para roubo e incêndio, e uma cobertura robusta para terceiros, com colisão parcial negociada. Se o carro roda muito, talvez seja melhor aceitar um prêmio maior e ter uma cobertura completa com assistência adequada.

Uma estratégia que funciona bem para muita gente é ajustar franquia e coberturas com calma. Às vezes, subir um pouco a franquia reduz bastante o prêmio, mas não pode ser a ponto de você nunca conseguir usar. O ideal é uma franquia que você conseguiria pagar sem entrar em desespero, caso aconteça uma batida.

Atenção às letras miúdas: exclusões e limites que pegam proprietários de antigos

Aqui entra um ponto que eu sempre recomendo tratar com carinho: ler condições gerais e entender o que está sendo contratado. A SUSEP exige regras e transparência, mas o contrato ainda tem detalhes importantes.

Algumas apólices podem limitar uso em competições, track day, arrancada, eventos de velocidade, o que é comum e faz sentido. Outras podem ter restrições para transporte por cegonha, embarque e desembarque, ou até para determinados tipos de estrada, dependendo do produto.

Outro ponto é a cobertura de acessórios e equipamentos. Um clássico pode ter som antigo, roda rara, kit de acabamento, bagageiro original, coisas que têm valor e podem não estar automaticamente cobertas. Se não estiver declarado, pode não haver indenização.

E tem a questão dos vidros e lanternas. Em carros antigos, um para-brisa pode ser raro. Em alguns seguros, a cobertura de vidros é opcional. Vale ver se faz sentido para o seu modelo.

Seguro x associação de proteção veicular: cuidado redobrado

No Brasil, além de seguradoras regulamentadas, existem associações e cooperativas que oferecem proteção veicular. Muita gente considera porque, em alguns casos, o preço parece mais baixo e a aceitação é mais fácil.

O ponto aqui é: seguro é um produto regulado pela SUSEP, com regras de solvência, provisões técnicas e fiscalização. Proteção veicular pode ter funcionamento diferente, baseado em rateio, com regras internas e sem a mesma estrutura regulatória do seguro tradicional. Isso não significa automaticamente que toda associação seja ruim, mas significa que o nível de garantia e o caminho de reclamação podem ser diferentes.

Se você estiver considerando esse tipo de alternativa para um carro antigo, principalmente um clássico valioso, vale pesquisar histórico, contrato, prazo médio de pagamento, reputação e entender como funcionam vistorias e indenizações. Em dúvida, Procon e plataformas de reclamação ajudam a mapear padrões, e conversar com um corretor de seguros também ajuda a comparar riscos.

Como cotar do jeito certo, e o que levar para o corretor

Uma cotação bem feita para carro antigo não é só “digitar placa e CPF”. Você ajuda muito o processo quando já chega com informações organizadas.

Tenha em mãos fotos atuais do carro, detalhes de conservação, garagem disponível, quilometragem média mensal e uma noção clara de como você usa. Se houver restauração, vale separar notas e fotos do processo, e referências de mercado, como anúncios de carros equivalentes em estado semelhante. Isso facilita discutir valor determinado ou acordado.

Também é importante ser honesto com o uso. Se você pretende viajar, pegar estrada, participar de encontros, diga. Se o carro só sai em eventos específicos, diga também. Quanto mais preciso, melhor a adequação do contrato.

E, quando receber propostas, compare coberturas com calma. Duas apólices podem ter o mesmo “nome”, mas limites bem diferentes para terceiros, assistência e vidros, e franquias muito distintas.

Vale a pena fazer seguro para carro antigo?

Na maioria dos casos, sim, mas do jeito certo.

Se o carro é barato e você conseguir repor com facilidade, talvez faça sentido uma proteção mais simples, principalmente para terceiros e roubo. Se o carro tem valor afetivo, é raro, ou você investiu tempo e dinheiro em restauração, o seguro ganha um peso enorme, porque o prejuízo de uma perda total não é só financeiro, é emocional.

Também tem um lado que pouca gente fala: o seguro traz liberdade. Você consegue ir a um encontro, pegar uma estrada curta, estacionar com menos ansiedade, e curtir o carro do jeito que ele foi feito para ser curtido. Com responsabilidade, claro, mas sem paranoia.

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Conclusão: proteger um clássico é proteger uma história, e isso tem método

Seguro para carro antigo não é um bicho de sete cabeças, mas também não é algo para contratar no automático. O custo depende do seu cenário, usado no dia a dia, clássico de fim de semana, raridade valiosa, e principalmente de como o valor será definido e como o reparo será tratado.

Se você levar a sério três pontos, a chance de acertar cresce muito: contratar com valor coerente com a realidade, declarar uso e modificações com transparência, e escolher coberturas que protejam o que realmente pode te quebrar, seja roubo, colisão ou dano a terceiros. E, sempre que possível, trabalhar com seguradoras regulamentadas e com orientação de corretor, seguindo boas práticas e regras do mercado supervisionadas pela SUSEP.

Se você está pensando em segurar um carro antigo, ou quer revisar uma apólice que já tem, vale a pena conversar com um corretor especializado em clássicos e levar fotos, histórico e ideia clara de uso. Assim, você transforma o seguro em aliado e consegue aproveitar seu carro com muito mais tranquilidade. Se quiser, aprofunde sua pesquisa, faça cotações em mais de uma seguradora e busque ajuda especializada para desenhar a proteção ideal para o seu caso.

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